Um grupo criminoso investigado por aplicar golpes através da venda de franquias fictícias de empadas foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ação foi deflagrada nessa quarta-feira (2/4) por agentes da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), que cumpriram mandados de busca e apreensão em quatro endereços ligados aos suspeitos, incluindo dois condomínios de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital, e imóveis em Queimados, na Baixada Fluminense.
De acordo com as investigações, os golpistas prometiam franquias da suposta marca “Cia da Empada”, que sequer possui registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Vítimas relataram que investiram economias de anos para abrir quiosques que nunca chegaram a existir — ou, quando entregues, estavam com aluguéis atrasados e resultaram em despejo.
A polícia já identificou ao menos dez vítimas, que juntas acumularam prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão. Os investigadores descobriram que os criminosos usavam diversas pessoas jurídicas para dificultar a rastreabilidade do golpe e intermediavam as negociações com o uso de terceiros, aumentando a aparência de legalidade.
Em um dos casos, uma vítima investiu quase R$ 300 mil na compra de dois quiosques e, após reclamar da demora, recebeu cheques como forma de reembolso — todos sem fundo.
O golpe
O esquema se baseava na promessa de retorno rápido com a venda de empadas por meio de uma rede de franquias. Com a ilusão de sucesso e suporte operacional, os criminosos atraíam pequenos investidores e empresários interessados em empreender. Os contratos, no entanto, apresentavam cláusulas fraudulentas, e a marca usada como fachada não existia legalmente.
A investigação também revelou que alguns dos imóveis supostamente alugados para a instalação dos quiosques estavam inadimplentes, o que levou ao despejo das vítimas logo após a inauguração.
Os investigados
Entre os suspeitos está Luiz Mathias, apontado como o chefe da quadrilha. Com 19 anotações criminais em sua ficha, ele já responde por crimes como estelionato, lesão corporal, ameaça, difamação e outros golpes similares praticados em Goiás.
Outros dois investigados ligados à falsa franquia também são alvos da operação: Almicar de Castro Amorim, apontado como gerente operacional do esquema, e Manoel Edson Matias, irmão de Luiz Mathias.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, documentos e contratos. O material passará por perícia para identificar possíveis provas de lavagem de dinheiro e associação criminosa.