FALA SÉRIO DF

Em 1ª fala pós-tarifaço, presidente do Fed projeta inflação mais alta

Em seu primeiro pronunciamento oficial desde a imposição de uma nova rodada de tarifas comerciais por parte do governo dos Estados Unidos contra diversos países, o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, alertou para o risco de aumento da inflação e de forte desaceleração da economia.

As declarações do chefe da autoridade monetária dos EUA foram dadas nesta sexta-feira (4/4), durante uma conferência no estado da Virgínia.

“Agora está ficando claro que os aumentos tarifários serão significativamente maiores do que o esperado. O mesmo deve ocorrer com seus efeitos econômicos”, afirmou Powell.

A fala do presidente do Fed foi interpretada como uma resposta ao próprio Trump, que voltou a cobrar o BC dos EUA sobre uma possível redução da taxa de juros no país.

Segundo Powell, no entanto, “a incerteza permanece elevada” em relação às tarifas – quais entrarão efetivamente em vigor, por quanto tempo e qual será a dimensão das respostas dos parceiros comerciais dos EUA.

Ainda de acordo com o presidente do Fed, a taxa básica de juros da economia norte-americana deve ser mantida no intervalo entre 4,25% e 4,5% ao ano, diante das ameaças inflacionárias.

“Há riscos elevados, tanto de uma inflação mais persistente quanto de uma alta no desemprego”, disse Powell.

“Nosso dever é manter bem ancoradas as expectativas de inflação de longo prazo e impedir que um aumento pontual de preços se torne um problema contínuo”, concluiu o chefe da autoridade monetária.

A elevação da taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para conter a inflação.

Recessão

No início da semana, em meio à preocupação generalizada dos mercados em relação a uma possível guerra comercial global, o Goldman Sachs, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, elevou sua estimativa de que o país entre em recessão nos próximos 12 meses.

De acordo com a nova projeção da instituição financeira, a probabilidade de os EUA entrarem em recessão subiu de 20% para 35%.

“O aumento da nossa projeção de recessão reflete a base de crescimento mais fraca, a recente deterioração da confiança de famílias e empresas, além de declarações de autoridades da Casa Branca que indicam uma maior disposição para tolerar fraqueza econômica de curto prazo em nome de suas políticas”, explicou o banco.

O Goldman Sachs alerta ainda para a queda de confiança nos fundamentos econômicos dos EUA, que estariam mais frágeis hoje do que em momentos anteriores.

No dia 19 de março, o Fed anunciou a manutenção da taxa básica de juros no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano. A autoridade monetária atualizou suas projeções para os indicadores da economia norte-americana e reduziu a perspectiva de crescimento do PIB do país de 2,1% para apenas 1,7% em 2025.

Em meio ao clima de incerteza, amplificado pelos rompantes de Trump e por uma dura política tarifária que colocou o mundo à beira de uma guerra comercial, a hipótese de os EUA entrarem em recessão foi reforçada pelo GPDNow – uma espécie de “monitor do PIB” elaborado pelo Federal Reserve de Atlanta. Em sua última leitura, no início de março, a estimativa era a de uma queda anualizada de 2,5% do PIB no primeiro trimestre, bem diferente da projeção anterior (alta de 2,3% para o período).

A última recessão dos EUA aconteceu no início da pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021. Antes dela, o país enfrentou uma recessão por 18 meses, entre 2007 e 2009, com a crise do “subprime”. Na época, houve a concessão de uma série de empréstimos hipotecários de alto risco – para financiamento imobiliário – pelos bancos. Muitas instituições financeiras foram levadas à insolvência, o que derrubou as principais bolsas de valores. O auge da crise foi a quebra do Lehman Brothers, um dos mais antigos bancos de investimento do mundo.

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